Terras do Nunca
Everybody Knows This Is Nowhere - Neil Young
lundi 17 octobre 2005
É oficial: Terras do Nunca entrou em pousio. Mas no link ali de baixo há um mundo de sensações novas que espera por si
samedi 15 octobre 2005
mercredi 12 octobre 2005
O princípio da transparência
Diálogo entre blogueiros e jornalistas: mostra-me a tua agenda, que eu mostro-te a minha.
A arte da falcoaria
Pergunto eu: em que circunstâncias devem os membros do Governo utilizar o famoso Falcon?
dimanche 9 octobre 2005
O (b)ónus (II)
No caso Eurominas, por exemplo. Todos são culpados até prova em contrário. No caso Casa Pia, por exemplo, idem aspas. Em todos os casos chamados mediáticos, o ónus da prova já está invertido. Na classe política em geral, alguém acredita no enriquecimento legal, normal?
samedi 8 octobre 2005
Portugal positivo
O El Pais, escreveu-se por aí, mudou de correspondente em Portugal para dar do país uma imagem mais positiva.
Na edição de sexta-feira, escreve assim o tal Miguel Mora, novo correspondente em Portugal:
Título: La derecha portuguesa, favorita en las elecciones municipales del domingo;
Lead: Debates azedos, plenos de insídia e insultos e fracos de conteúdo; juízes, polícias e militares em pé de guerra contra o Governo devido ao corte de privilégios; os cidadãos assustados com a crise económica; quatro candidatos a câmaras perseguidos pela justiça por diversos delitos económicos são claramente favoritos; o Presidente da República, Jorge Sampaio, reclama uma nova lei anticorrupção... [as reticências estão no original].
Eis, então, Portugal positivo em todo o seu esplendor.
[act: dedicado, obviamente, ao Luís. não sei se às vezes nos precipitamos, se nos precipitam. começo a saber, com o tempo hei-de ir lá, que as primeiras impressões, a espuma, nos turva. que não temos de seguir, por vezes nem com o olhar, tanto foguete alheio que por aí anda.]
O (b)ónus
Andam por aí uns intelectuais superindignados com aquela coisa da inversão do ónus da prova proposta por Jorge Sampaio. Se calhar, até têm razão.
O problema é que esses são os mesmo intelectuais, sem tirar nem pôr, que acham que deve ser o Governo a provar que nada tem a ver com um negócio pretensamente oblíquo entre a Prisa e a TVI.
Esses intelectuais são, obviamente, uma treta.
Declaração de (não) voto
Há quem me aconselhe o voto em branco, há quem me recomende o voto na lógica do menos mal.
Se calhar, estarei a ser injusto. Se calhar, a culpa é do Governo ou do sistema. Sim, será Lisboa uma cidade governável com uma câmara distante e meia centena de juntas de freguesia impotentes?
A verdade é que Lisboa, a minha Lisboa, a do meu bairro, a dos sítios por onde passo, é uma cidade abandonada, desprezada, cada vez mais feia, cada vez mais desumana.
A verdade é que os candidatos que se apresentam são insuportavelmente maus. Obedecem a lógicas que nada têm a ver com a cidade. Percebe-se à distância.
A verdade é que estou habituado - talvez mal habituado - a que o meu voto tenha peso. Mania das grandezas... tenho a ilusão de que o meu voto ajuda a decidir o governo das coisas. Ora, desta vez, pura e simplesmente, é-me completamente, mas completamente, indiferente quem ganha Lisboa. Só isso.
Secretos
Há quem ande indignado com as mudanças nos serviços secretos. Não teria sido mais importante terem-se indignado com o que fez nesses serviços a tripla Durão-Santana-Portas?
jeudi 6 octobre 2005
Micro-causa
Neste momento, tenho uma. Aparentemente pessoal, mas verdadeiramente partilhável - penso que haverá muita gente com o mesmo problema.
Eu, que nos últimos anos tenho escrito texto atrás de texto de combate à abstenção, tento racionalizar, o melhor que posso, a decisão que tomei há várias semanas - abster-me, pela primeira vez na vida, numas eleições.
Post Scriptum: estou recenseado em Lisboa.
mardi 4 octobre 2005
Xiu
Hoje não escrevo para não perturbar as cerimónias do 5 de Outubro. E depois também não, porque entro em reflexão para as autárquicas. Depois, vem o Orçamento de Estado, mais as aparições em Fátima, mais o resto que vocês sabem. Compreendam, por isso, o meu silêncio. Sou uma pessoa importante, não posso derramar o meu ruído, perdão, os meus pensamentos dessa forma perdulária. Compreendam.
lundi 3 octobre 2005
dimanche 2 octobre 2005
Sondagens (uma adenda)
O último de McCartney é quase Beatles. O novo dos Stones é o melhor, pelo menos, desde a década de 70. E acabo agora de ouvir Prairie Wind, que vai directo para top de Neil Young.
Este é um tempo de dinossauros.
samedi 1 octobre 2005
Os assessores do Expresso
Deve ser monótona a vida dos assessores de Cavaco. Numa semana, procuram, procuram e desenterram um artigo com dois anos sobre o semi-presidencialismo. Publicam-no no Expresso. Noutra semana, dão voltas à cabeça e ao calendário, voltas e mais voltas, e descobrem que o raio calendário consegue meter numa só semana uma eleição autárquica, um orçamento de Estado e uma aparição em Fátima. O professor, magicam, não pode falar. Mas há que fazer saber que o professor não fala. Publique-se, então, onde, onde? Ora onde haveria de ser? No Expresso. Depois, na outra semana, há um livro sobre o professor, no qual foi colocada a frase mortal, mortalmente mortal: «Ainda é cedo para avaliar Sócrates». Notem a perfídia, a malvadez: ainda é cedo, mas o dia há-de chegar. Melhor: ele até já está a ser avaliado, não se pode é saber o resultado. Mas convém que se saiba que o professor há-de avaliar Sócrates. Ou não fosse ele professor. E onde se há-de publicar tão profunda coisa? Mas haveria outro sítio senão... isso mesmo, o Expresso. A isto, meus senhores, chama-se alta política. Está visto, não é para todos.
vendredi 30 septembre 2005
Sondagens (II de II)
Eu, se fosse político, fechava os olhos e não lia as sondagens de entre sexta-feira de manhã e sábado de manhã. Eu, se fizesse sondagens, também não lia.
Sondagens (I de II)
Eu também acho que há um efeito Manuel Alegre nas sondagens que não corresponde ao real valor eleitoral do dito cujo. E que Soares está desvalorizado. E que há muita direita a inchar o Alegre, mais por puro gozo do que na expectativa de que ele reduza Soares a pó. Basta ler, nos media e nos blogues, as palavras de incentivo ao poeta e os apelos, cada vez menos velados, à desistência de Soares. E também sei que anda muita esquerda a votar Cavaco, que uns o fazem também por puro gozo, outros em protesto contra PS-Sócrates-Soares, e poucos, mas mesmo muito poucos, o fazem a sério. E menos ainda irão votar, de facto, Cavaco. O sol sorri, porém, para Cavaco, mas todos sabemos como estes números, conhecidos agora, podem ser do mais traiçoeiro que existe.
E até percebo a nervoseira de quem tanto se incomoda com as análises que os media fazem das sondagens. Mas números são números - eu até acho uma série de coisas que contrariam os números. Mas valem as minhas convicções mais que os números, por muito que eu ache que eles não batem certo?
jeudi 29 septembre 2005
Machismos e coisas assim
Conheço um blogue onde pontificam duas mulheres, muito mulheres (if you know what I mean...), onde quem manda, mas manda mesmo, é um homem.
Agricultores
A gente passa pelo Alentejo, anos a fio, e aquilo é um deserto. Nada. De agricultura, nada. Em ano de seca, surge a oportunidade para o subsídio. E manifestam-se. Podiam, pelo menos, ter deixado as camisas Calvin Klein em casa.
Duplicidades
Lembram-se da Alta Autoridade para a Comunicação Social, esse quisto da democracia, coio de parasitas? Pois, desde ontem, é um bastião da liberdade de imprensa.
mercredi 28 septembre 2005
O ruído
Sobre o referendo do aborto, acho divertida, simplesmente divertida, a polémica que sempre se instala acerca da oportunidade e da data. Tudo serve para não fazer.
Agora, até a igreja católica acha que o referendo dever ser adiado para depois das presidenciais. «O bom senso exige que não haja um ruído simultâneo de acontecimentos». Mas o que tem a igreja católica a ver com isso? O que a incomoda nesse ruído?
[É curioso. O ruído. Há quem fale, não dizendo nada, ou dizendo tudo, para evitar o ruído. E quem não fale de política a 12 de Outubro porque a 13 há aparições em Fátima. Ruído, pois.]
Falhas (no sentido freudiano)
Acho espantoso o silêncio (ou a falta de espanto...) pelas cada vez mais espantosas declarações do senhor Van Zeller sobre o negócio da TVI. Ver, por exemplo, a peça de hoje no Público (inlinkável).
mardi 27 septembre 2005
Um texto corajoso (II)
Um dos momentos mais interessantes da blogosfera actual está na caixa de comentários do post Advertência, do Luís [A Natureza do Mal II].
A reacção ao nojo do Luís pela política, pela hiperpolitização, pela degradação do debate político, não se fez esperar, os incentivos são generalizados. Eu também acho que abandonar as lides não é a solução, mas nisso, como no resto, cada um é o melhor juiz de si e dos seus gestos. O meio, como já escreveu alguém famoso que por aqui anda, é ácido. Como a vida, afinal.
A receita (!?) para sobreviver passa por encontrar um equilíbrio muito nosso. Importa o que dizem os outros, é certo, e mesmo, ou talvez principalmente, os silêncios. Mas nada substitui a nossa voz interior e nada é pior que a auto-castração.
Tudo isto para achar que o Luís agora não fala de política... mas ele já volta.
Sem sexo
A correspondente do Libération em Berlim falava hoje da campanha «assexuada» de Angela Merkel nas recentes eleições alemãs. Diz que começou com o entusiamo dos movimentos de mulheres e que até colheu simpatias noutros sectores políticos. Mas, durante a campanha, o discurso de Merkel nada tinha a ver com mulheres. Era um discurso assexuado.
Merkel deve, por isso
a) ser aplaudida porque as mulheres não devem usar o seu «estatuto sexual» como elemento diferenciador na campanha. Ela é política e só depois mulher?
ou
b) ser censurada por não ter usado o seu «estatuto sexual» como elemento diferenciador na campanha. Ela é mulher e só depois política?
dimanche 25 septembre 2005
Um texto corajoso
e, infelizmente, certeiro.
«A blogosfera a que consigo chegar é tão autista como os partidos políticos e mais fechada que os jornais, rádio e cadeias de televisão. Os blogs importantes têm fechadas as caixas de comentários e já publicam correio de leitores. Ninguém responde a ninguém. Ninguém fala verdadeiramente com ninguém. Há temas tabu, quase sempre por más razões.
Os que desde o início preveniam que a blogosfera não podia ser melhor do que o país estavam certos. Como sempre a razão destes não me alegra.
O ambiente político está tão degradado com a aproximação das eleições, apoderou-se dos intervenientes tal frenesim, que o risco de contaminação atinge todos os que não se afastarem convenientemente.»
Luís, in A Natureza do Mal.
O eixo dos comentadores
Estive a ver o Eixo do Mal. Aquilo é o state of the art do comentário político. Opiniões vincadas, definitivas, sobre tudo e sobre nada. Intrinsecamente contraditórias - o povo, por exemplo, tão depressa é parvo como inteligente. Fala-se porque sim, melhor, porque se é pago para isso. Sem o mínimo cuidado de informação, de saber do que se fala. A maior parte do que se diz não tem sustentação nos factos. Não é uma questão de opinião, são os factos. Escolhe-se do real aquilo que confirma as nossas convicções e ficamos satisfeitos. Exemplo? Estamos convencidos de que houve mão do PS no regresso de Fátima Felgueiras. Não há factos, há suposições. Mas isso não importa. E depois dizemos: porque está Jorge Coelho tão calado (topam a insinuação?)? Pouco importa que o homem tenha comentado a história (não a de Felgueiras, mas mesmo a do envolvimento do PS). Enfim, um dislate.
Mas o Eixo do Mal é apenas a versão cómica (será?) da coisa. Muito do comentário político que por aí anda - ponham os olhos nos blogues - é assim. Tudo se submete às convicções prévias de quem comenta. Uma tristeza.
samedi 24 septembre 2005
Seasons
Apercebeu-se da chegada do Outono. Nem tanto pela luz filtrada do fim de tarde. Mais pelo bem que lhe soube a caneca de Mokambo, a torrada.
Anti-americanos (um jogo)
Fomos comprar um jogo Uno. Versão de plástico,Toys'r'us, €9,90.Na embalagem, lê-se assim:
Clearly, America's #1 brand of family games!
!el juego familiar más popular de los EE.UU.!
Le jeu familial n.º 1 en Amérique, c'est evident!
O jogo número 1 da diversão em família!
Note-se o extremo cuidado em manter o ponto de exclamação em todas as versões. E a evidente omissão de referências à América na versão portuguesa.
Já somos todos americanos? Ou o nome da besta é impronunciável?
mercredi 21 septembre 2005
E os anti-germânicos?
As eleições na Alemanha mereceram comentários entusiasmados cá pelo burgo. Alguns atiram-se mesmo aos alemães, tratando-os mais ou menos por estúpidos, pelo simples facto de terem votado mal - deviam era votar nas reformas, na Merkel. Votando como votaram, estão a condenar-se a si próprios.
Curioso é que ainda ninguém acusou o pessoal que anda a escrever isto de anti-germanismo. E, vejam bem, isto é bem mais grave que o anti-americanismo. O anti-americanismo, como se sabe, é apenas uma versão genérica do anti-bushismo. Ora, estas vastas e fundas análises sobre as eleições na Alemanha põem em causa os alemães, a sua incapacidade de se governarem. Não acham?
mardi 20 septembre 2005
Coisas estatutárias
O comentador da RTP diz que Carrilho não ter perfil. Se dissesse o contrário seria expulso? Do PSD, quero eu dizer.
É só má-fé
Qual é explicação para este caso:
Há pessoas intelectualmente activas
ou
Há pessoas que vivem numa bolha anti-anti-americana?
dimanche 18 septembre 2005
Enviesamento (caso prático)
Há várias horas que a Euronews, nos títulos a cada hora, abre com as eleições na Alemanha e segue com um incêndio que houve hoje em Mortágua. Vejam bem, Mortágua quase tão importante quanto o governo da maior economia europeia...
samedi 17 septembre 2005
O artigo 171.º (CRP)
2. No caso de dissolução, a Assembleia então eleita inicia nova legislatura cuja duração será inicialmente acrescida do tempo necessário para se completar o período correspondente à sessão legislativa em curso à data da eleição.
Enviesamentos
Como sempre, são muito estimulantes as reflexões de JPP [Abrupto] sobre os media, desta vez, mais especificamente acerca do «enviesamento» da informação.
Ainda há dias JPP se interrogava se a questão Prisa/TVI não deveria ser tratada nas secções de Política e não nas de Media, como a generalidade dos jornais estão a fazer.
[A questão levanta outra mais remota - nos jornais de referência, a Política é a secção nobre, mas, de facto, é nas de Sociedade, Regional ou Economia, por exemplo, que mais política se faz. É lá que, de forma ora ingénua ora mais manipulatória, se tratam as questões reais da governação - saúde, educação, qualidade de vida, economia - e é lá que os governos são todos os dias julgados, por vezes sumariamente. Nas secções de Política, esgrime-se retórica, é o reino do vazio.]
É curiosa, esta proposta. O caso Prisa/TVI deveria passar para a Política porque, à partida, deveria ser feito um julgamento. De que aquilo não é um negócio, mas sim um negócio político. Ou seja, o alinhamento dos jornais deveria, no fundo, reflectir a agenda da oposição e não uma agenda mais tradicional, ligada ao tema em apreço. Tomando esse princípio, se a oposição acusar o Governo de conduzir mal o combate aos incêndios, eles passam da Sociedade/Regional para a Política, se a oposição achar que o Governo está a interferir na Liga de Futebol, o campeonato deve ir para a Política. E a inversa seria, obviamente verdadeira - se atendessemos aos desejos dos governos (sempre interessados em despolitizar tudo), as secções de Política ficariam às moscas.
Num cenário desses, os media ficaram ao sabor de agendas externas, políticas. Ou seja, de envisamentos externos. Enviasamentos esses que talvez já fossem positivos...
Constitucionalismos
Há quem ache que o referendo sobre o aborto deve encalhar na discussão das sessões legislativas. E sobre essa matéria há opiniões divergentes, mesmo entre constitucionalistas. Não se percebe é porque umas leituras hão-de ser mais válidas que outras. Obviamente, podemos sempre inverter os princípios básicos da democracia e defender que a leitura da minoria e dos seus constitucionalistas é mais iluminada que a outra. Aliás, podemos mesmo alargar esse entendimento à questão de fundo e determinar que, referendo ao aborto, só quando todos estiverem de acordo sobre a sua realização. Ou seja, nunca.
vendredi 16 septembre 2005
O ponto G
Pois, parece que há um programa de tv que usa e abusa de um certo estereótipo de gay. No Glória Fácil, opina-se e linka-se sobre o tema.
Nunca vi o programa, mas não custa imaginar o que seja.
Há a história do estereótipo - parece que a imagem de homem-gay que passa é aquilo a que costumamos chamar «amaricado». Efeminado, se quiserem - e aqui voltamos a entrar em estereótipos e nunca mais saímos...
O problema é que a tv é o território por excelência do estereótipo. Há uma série de que já aqui falei - L-Word, que passa no Fox-Life - que mais não é que um catálogo de lesbianismo. Há-as de todo o tipo, até das que gostam de homens. Mas essa é uma série sobre lésbicas, idealizada por uma lésbica, dirigida ao público lésbico - que, obviamente, todos adoramos ver, até porque tem um registo bem disposto. Essa série pode-se dar ao luxo de brincar com os estereótipos e até de os desmontar.
Esperar de uma tv generalista que, em Portugal, desconstrua o estereótipo gay é uma enorme ilusão. A tv, repito, trabalha quase exclusivamente com estereótipos - e isso não é apenas na ficção, vejam-se os telejornais, o modo como são abordados os temas, os alinhamentos. Tudo previsível, tudo estereotipado.
Por isso, a tv de grande consumo - dêem-me só aquilo de que gosto - só podia apostar no estereótipo do gay amaricado. Porque é essa a imagem que o povo tem dos gays.
Estavam à espera de quê? Que a televisão fosse um veículo para educar o povo?
mercredi 14 septembre 2005
lundi 12 septembre 2005
dimanche 11 septembre 2005
À francesa?
Anda no ar uma certa comoção com o artigo de Cavaco que o Expresso se esqueceu de publicar em 2003.
O homem garante que não será Presidente à francesa. Como se fosse possível... Enfim, desde que não seja "à espanhola" o dr. Marques Mendes não se importa.
O povo não aprende. A única coisa que podemos ter como certa é que Cavaco (ou Soares) cumprirá a Constituição. O que não quer dizer absolutamente nada. Compare-se Soares I com Soares II, Sampaio I com Sampaio II e tirem-se as conclusões.
samedi 10 septembre 2005
Flashback
Depois de o Expresso ter publicado hoje um texto de opinião de Cavaco escrito em 2003, a candidatura de Soares está a fazer chegar aos jornais os manuscritos do Portugal Amordaçado.
Anti-americanos primários
[o inimigo interno]
As autoridades norte-americanas recusaram 15 toneladas de ajuda alimentar da Alemanha para as vítimas do furacão «Katrina».
Acrescenta o “Der Spiegel”, as rações alemãs foram certificadas e consideradas sem risco pela NATO, sendo consumidas em intervenções militares comuns, como no Afeganistão.
O apoio
Hoje não há novidades sobre os afectos presidenciais do engenheiro. Será que a implosão lhe modificou o humor? A promoção regresso às aulas estará a funcionar? Coisas que me angustiam... Tanto, tanto, que tenho evitado até passar perto de um dito supermercado.
vendredi 9 septembre 2005
Anti-americanismo (caso prático)
Hoje, fomos almoçar ao Great American Disaster, no Marquês de Pombal. Juro: pensava que tinha fechado por falta de clientela.
País tablóide (iii)
Nos blogues também. Também há blogues tablóide. Sim, estou a falar de blogues anónimos, que publicam o que lhes vem à cabeça, que treslêem, que confundem árvores com florestas, opinião com factos. Uns grandessissímos tablóides é o que eles são.
País tablóide (ii)
O Governo, o Sócrates, os autarcas, o empresário. Os que já foram e os que são. Especialmente os que pensam que são. Todos foram à implosão. E as televisões e as rádios e os jornais. Todos foram. E o povo viu. Em directo e em diferido. Três segundos de pó. O país é, obviamente, tablóide de alto a baixo. Não se atirem ao Sócrates, ou aos media.
País tablóide (i)
Parece que os tablóides é que dizem a verdade. E qual é a verdade? Que Sócrates só fingiu que implodia, porque quem implodiu foi outro. Qual o interesse disto para a história? Zero. Mas, pronto, é a verdade. Eu pensava que a informação curiosa, o fait-divers, o anedótico, o incidental, era o território por excelência dos tablóides. Que aos outros competia descrever, analisar, o que é essencial. Parece que não. O que interessa é a verdade e a verdade é definitivamente tablóide.
Lições de economia
Quando vi um post com o título «Que tal umas lições de economia?!», assinado por Miguel Frasquilho [Quarta República], ainda pensei que era uma coisa autobiográfica, consequência da triste figura que fez, há dias, no Parlamento, com os números do desemprego. Enganei-me.
Anti-americanismo (mais um contributo)
Até a Economist, como nota Vital Moreira [Causa Nossa], aderiu ao anti-americanismo primário. Uma vergonha... O mundo está perdido.
jeudi 8 septembre 2005
Vai um cubano?
O RAF e o João Miranda [Blasfémias] têm razão: aquilo de Cuba liderar o investimento em educação é de anedota.
Sobre Cuba, acho o que toda a gente normal acha: o único indicador que interessa discutir é o da democracia e, para esse, nem precisamos dos relatórios da ONU.
Reproduzi aquela informação apenas com o intuito de desmascarar a sacralização que por vezes fazemos destes números e relatórios.
Já agora, em especial para o RAF e a sua indisposição sobre os media, aqui vai um excerto de uma notícia de ontem
"Por trás da retórica do mercado livre e das virtudes da harmonização das regras do jogo esconde-se a dura realidade: alguns dos agricultores mais pobres do mundo são forçados a rivalizar, não com os agricultores do Norte, mas com os ministros das Finanças dos países industrializados", declarou Kevin Watkins, principal autor do relatório, num comunicado de imprensa.
Provavelmente, até tem razão. A retórica é que me parece um pouco excessiva para quem faz relatórios supostamente imparciais para aquela que deveria ser a mais imparcial das organizações. Mas os media é que têm as costas largas...
O regabofe
A nomeação de socialistas suspeitos continua em grande estilo:
Carlos Tavares, antigo ministro da Economia no governo de Durão Barroso, será o próximo presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), confirmou esta quinta-feira à agência Lusa fonte oficial do Ministério das Finanças.
Vamos então ao essencial
No Blasfémias apela-se a que se destaquem os aspectos positivos do relatório do PNUD sobre o desenvolvimento dos países. Parece que podemos aprender alguma coisa. Aí vai, então, um modesto contributo retirado do dito relatório: Cuba é o país que gasta a maior percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) em educação.
Desesperadas em francês
O Índice de Desenvolvimento Humano
[que as Nações Unidas divulgaram ontem e em que Portugal, para variar, está cada vez pior]
passa ao lado das coisas importantes da vida.
Por exemplo: a França até pode ser rica, importante (enfim...) e tal, mas só a partir de hoje é que os franceses vão poder acompanhar as Donas de Casa (e ainda por cima no Canal + codificado, em aberto só na Primavera no M6 - e aposto que será dobrado - oh horror...).
O Libé dedica duas páginas ao événement e tem uma entrevista com Marc Cherry, o criador. Cliquem que está tudo disponível.
mercredi 7 septembre 2005
Volto já
Fui só fumar um cigarro [na verdade, estou é a escrever posts atrás de posts noutro blogue].
mardi 6 septembre 2005
Cuba libre
Há discussões que seria fácil alimentar. Um exemplo.
Escreve-se na Grande Loja:
O imperialismo americano é bom, sentença facilmente aduzida por milhares de cubanos desesperarem por um lugar numa instável embarcação destinada à América.
Ora a verdade é que, por cada cubano que quer sair de Cuba, há milhares a quem isso não passa pela cabeça.
Trata-se de uma questão de matemática, de lógica. E que, obviamente, nada tem a ver com a questão que realmente importa. A política.
lundi 5 septembre 2005
Hilariante
A senadora Hillary Clinton quer uma comissão de inquérito ao falhanço das autoridades americanas no caso do Katrina. É preciso denunciar: trata-se de uma anti-americana primária. Comunista. Uma louçã de saias. Uma vergonha...
dimanche 4 septembre 2005
Por exemplo
O candidato suplente do PSD às presidenciais, na habitual homilia de domingo, está a arrasar com inusitada violência a reacção de Bush ao furacão e o sistema político americano que se virou todo para o combate ao terrorismo e se esqueceu do país. Olhó comunista...
As doenças de certos (outros) intelectuais
Sou português, tenho opinião. Mas não devo ter opinião sobre a América, quando a América sofre ou erra. Não devo tratar a América como se fosse a espécie de segunda pátria que, na prática, é para a maioria de nós.
Não posso escrever sobre a América. Excepto, é claro, quando a apresentar, a torto e a direito, a título de exemplo de como as coisas devem ser feitas. Nomeadamente, se for em contraponto à alegada desorientação e decadência de Europa.
A América é o nosso ponto de referência, mas só se for para elogiar. Se nos passar pela ideia qualquer crítica, o melhor é olharmos para o lado.
As doenças de certos intelectuais
Critico Bush, ou a imagem que ele dá da América, sofro de anti-americanismo.
Se criticar Sócrates, ou uma certa ideia que ele tem de Portugal, sofro de quê? Anti-portuguesismo?
samedi 3 septembre 2005
vendredi 2 septembre 2005
Os desapoiantes
Abriu a época de caça. Nos bastidores, nos telefonemas, nos almoços, cada uma das candidaturas tenta pescar nas águas do adversário.
O PSD registou, e bem, que com Soares não estão agora apoiantes de outrora. Suspeito que, por exemplo, Cavaco, apoiante da segunda candidatura, não fará parte da actual comissão de honra.
jeudi 1 septembre 2005
O Américo
Perguntam-me se conheço aquele senhor de bigode escuro muito marcado que hoje aparece ao lado de Mário Soares em 90 por cento das fotos dos jornais
[a anedota é ao contrário - quem é aquele senhor de cabelos brancos que aparece ao lado de senhor de bigodes?, mas agora não é disso que se fala]
e, de facto, até sei. É o Américo.
mercredi 31 août 2005
Wishful opinion
Alegre é corajoso ou cobarde, a esquerda ganha ou perde em ir dividida, a direita ganha ou perde com mais ou menos candidatos à esquerda, APENAS conforme os desejos de quem opina.
mardi 30 août 2005
Like an Angel
Este ano - vá lá saber-se porquê, estarei menos popular? - ainda ninguém me pediu para responder a um inquérito de Verão. Não faz mal, respondo na mesma. Por exemplo, à questão n.º 9:
- Que disco levaria para uma ilha deserta?
- Olhe, se fosse hoje, era o For The Stars, da Anne Sofie von Otter com o Elvis Costello. E só por causa da versão absolutamente fabulosa de Like an Angel Passing Trough my Room, um original dos Abba.
lundi 29 août 2005
Em contramão
O líder da oposição sugeriu ontem que o Tribunal Constitucional deveria ser chamado a pronunciar-se sobre as reformas dos funcionários públicos.
E porque não sobre as multas de trânsito, professor Marcelo?
dimanche 28 août 2005
Baralhando paradigmas
A série mais escaldante do estação corre no Libé. Há dias (Vendredi, c'est sodomie), a capa do suplemento de Verão tinha o seguinte título: «Les femmes, ces enculeuses. La sodomie se banalise chez les hétéros. Les femmes serait demandeuses, surtout côté actif.»
Alguém quer traduzir?
A higiene de um país
A limpeza coerciva das matas prossegue, paulatina. Esta noite é em Pombal. Podia ser noutro sítio qualquer.
samedi 27 août 2005
Ambição loira, the comeback
[Ou Aguentem aí um bocadinho que só faltam três meses para o fim da crise... (onde é eu já ouvi isto?)]«Get Up Lisbon» é o título do DVD duplo que a cantora Madonna gravou em 2004 durante os concertos realizados no Pavilhão Atlântico. O DVD será editado em Dezembro, adianta esta quarta-feira o Correio da Manhã. De acordo com a publicação, o DVD terá dois subtítulos - «Re-Invention Tour Live From Lisbon» e «I´m Going To Tell You A Secret?» - e incluirá cenas de bastidores captadas em diversas salas, nomeadamente no Pavilhão Atlântico.
[in Diário Digital]
Elas desesperadas 2
Há pessoas que têm preconceitos. Contra a ciência, por exemplo.
Só posso, por isso, agradecer à Blogotinha o link:
«Genetic differences in intelligence between the sexes helped explain why many more men than women won Nobel Prizes or became chess grandmasters», the study by Paul Irwing and Richard Lynn concludes. «For personal reasons I would like to believe men and women are equal, and broadly that's true», he [o autor do estudo] said. «But over a period of time the evidence in favour of biological factors has become stronger and stronger.»
[Actualização: a coisa, como temia, toma proporções universais. A Blogotinha manda-me ler um jornal australiano, de Helsínquia [Sob a Estrela do Norte] mandam-me para Londres. Espalhemos, então, a notícia...]
vendredi 26 août 2005
Elas desesperadas
A Lusa publicou ontem uma notícia muito interessante, da qual não encontro rasto na Net. Alguém sabe mais alguma coisa? Como compreendem, o assunto é sério.
Um estudo britânico afirma que os homens têm um quociente de inteligência (QI) médio mais elevado do que as mulheres, segundo dados preliminares divulgados hoje na imprensa. Segundo o estudo, realizado pelos professores Paul Irving e Richard Lin, do Centro de Psicologia da Universidade de Manchester, acima dos 14 anos, os homens têm um QI em média cinco pontos mais alto do que as mulheres da mesma idade, diferença que aumenta nos QI mais elevados.
Desesperado com elas
Eram duas da manhã e ainda estava com mais um episódio do Donas de Casa, gravado poucas horas antes. Acho que, desta vez, na Fox. Acho... porque nunca sei a que horas passa a série e onde. Sic, Fox? Entre repetições, mudanças de horário, episódios aos pacotes, vale tudo. Enquanto não chega a versão DVD, o único remédio é ir espreitando as programações, gravar às escuras, o diabo a sete. Acompanhar a história, tornou-se uma aventura. No sábado, a Fox lá vai passar mais três episódios de enfiada. Já vi? Sei lá. É gravar e depois logo se vê.
jeudi 25 août 2005
E não é que funciona mesmo?
Bastaram quatro visitas do primeiro-ministro aos fogos e duas interrupções de férias do senhor Presidente para que a coisa amainasse. Os comentadores tinham razão.
Os tipos dos estéreos
A f. [Glória Fácil] regressou de férias e a primeira coisa com que deparou foi com um anúncio de um detergente e coisa e tal, o achincalhamento da mulher e mais aquilo.
Ora eu acho exactamente o contrário. Que essa coisa do gajo vestido de mordomo que vende detergentes para a loiça a senhoras bem casadas se destina a perpetuar a imagem do eunuco (olhe que não, olhe que não, antes pelo contrário) sempre servil para a madame-dos-bonbons-ferrero-rocher.
Os malditos dos estereótipos.






