sexta-feira, 25 de julho de 2003

Declaração de amor à Economist

Folheio na Net a edição da Economist que só daqui a algumas horas chegará às bancas. Privilégios de assinante. A Economist é a melhor revista do mundo. Não dá notícias, no sentido em que não tem cachas, novidades absolutas. Limita-se a explicar-me o mundo, a racionalizar fragmentos, a tecer teias. Nunca complicando, sempre tornando mais simples: «É assim. Queres ver?»
Eu deixo-me guiar, maravilhado por vezes, pé atrás, noutros dias, por um mundo organizado em continentes, em temas, como já nenhum jornal faz. Num inglês elegante, sempre correcto, mas sempre vivo, como o português que eu gostaria de ver nos nossos media. A Economist dá-me segurança num mundo em estilhaços. Acho mesmo que é um dos últimos refúgios de sensatez e ponderação constantes, sem cedências.
E, depois, a Economist é o meu alter-ego. Eu sou contra a invasão do Iraque? Pois a Economist encarrega-se de me mostrar, semana após semana, quão errado estou. É claro que ela não sabe que eu fico na minha...
Quando eu for dono e director de um jornal - é esse o sonho de todo o bloguista (blogueiro?) - ele há-de ter no cabeçalho a frase que o Economist inventou em 1843 e que continua a publicar todas as semanas: to take part in a severe contest between intelligence, which presses forward, and an unworthy, timid ignorance obstructing our progress.