sexta-feira, 18 de julho de 2003

O depósito obrigatório (II)

Uma das alternativas ao «depósito obrigatório» poderiam ser as cápsulas do tempo.
Por exemplo, meter num caixote uma bobina (hoje, talvez, um CD) da TSF, outra da Antena 2, outra da Rádio Antena Livre (de Abrantes), um DVD com a emissão da SIC Radical, outro com o Canal 2, outro com o Canal 18 (apanhando aquele horário de transfiguração, quando aquilo passa de canal para donas de casa para canal para dona(o)s de casa com o cio). E dopois ainda um exemplar do 24 horas, do Público, do Jornal de Negócios. E o folheto do Carrefour que me deixaram na caixa do correio. E mais, muito mais. Depois, colava-se uma etiqueta: «Portugal, 18 de Julho de 2003, um flash». Um retrato, um instantâneo do que somos.
Há, porém, uma coisa que me inquieta. Será que não há, de facto, alguém a guardar tudo o que aqui escrevemos. Não sei... Já repararam que tudo isto passa pela Blogger, uma empresa americana. Não é lá, nos states, que existe uma religião que anda a fotocopiar certidões de nascimento por esse mundo fora, a catalogá-las, a guardá-las em subterrâneos?