O caso Schneidermann e Portugal
Há uma petição a correr em favor de Daniel Schneidermann, jornalista despedido pelo Le Monde, após ter acusado a empresa de se comportar como um «clã siciliano».
Não assino porque:
1. O caso passa-se em França, o que não é dispiciendo. Todos os meses são publicados ensaios e livros sobre a enorme promiscuidade entre jornalistas, políticos e empresários. Trata-se de uma luta de tubarões. Schneidermann é apenas mais um sintoma desse mal-estar.
2. Entendo que, numa sociedade aberta, a liberdade de expressão tem mais a ver com os limites do que com o valor em absoluto. Nem tudo pode ser dito em todo o lado, isso parece-me óbvio. Isto não põe em causa o sagrado princípio de que sem a liberdade de expressão não há democracia.
3. Não acho que o dever de lealdade dentro das empresas seja uma coisa menor.
4. Parece-me que as pessoas que em Portugal assinaram a petição poderiam ter-se ocupado de algo bem mais importante e, já agora, bem mais próximo - a concentração da propriedade dos media em Portugal, essa sim, capaz de pôr em risco a liberdade de expressão e a própria democracia. E não falo de qualquer ameaça - falo do que já existe.

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