sexta-feira, 10 de outubro de 2003

Pois, pois

Daqui a umas horas, a blogosfera nacional vai estar de rastos, rendida à clarividência de JPP. Ele acaba de escrever um daqueles textos marcantes. Um texto (vários textos...) que tantos gostariam de ter escrito. Um texto que, nas entrelinhas e mesmo nas linhas, se escreve tanto por aí. É claro - sem aquele punch, sem aquela luz que cega.
JPP arrasa os media portugueses. Todos. Ou melhor, arrasa os jornalistas portugueses. Todos. Porque, enquanto moraliza, JPP também generaliza. Não nomeia ninguém. Não toca em caso algum. Eu até poderia concordar ou discordar. Se soubesse do que está a falar. De quem está a falar. Assim...
Genericamente, eu poderia dizer que há políticos que não gostam de perder. Nem a feijões. Não gostam que as suas ideias não vinguem. Não gostam que o mundo lhes resista. Nem quando penduram o casaco de político no bengaleiro e ficam com a camisa de comentador. Mas, é claro, se eu falasse assim, genericamente, vocês não saberiam de quem estava a falar.
Por alto, poderia falar dos políticos que moralizam quando falam de outros políticos. Mas abominam os jornalistas que moralizam. Dos políticos que têm o monopólio da moral. Mas, se eu dissesse isto, vocês não iriam saber de quem falo.
Gostaria, ainda, de falar de políticos com passado, que já andaram em campanha, que já andaram pelo Parlamento, que beberam da água que hoje censuram. Que deram a beber a água que hoje dizem odiar. Que usaram o prime-time e criticam quem usa o prime-time. Que usaram os bastidores e interditaram os corredores. Mas, se eu falasse desses políticos, vocês não saberiam de quem estaria a falar. Não valeria a pena.
Do que eu gostaria mesmo de falar era dos políticos que usam todos, mas mesmo todos, os recursos do sistema mediático e depois caem em cima do sistema mediático. Porque promove a intriga, a mediocridade, o populismo. Mas, assim, sem nomes, vocês iam lá saber de quem eu estava a falar.
Ah... Reparo agora - JPP, afinal, concretiza. Fala da SIC. Porque será?